A EDUCAÇÃO QUE TRANSFORMA GERAÇÕES

01/10/2013 15:24

      A sociedade contemporânea vivencia  momentos de  inquietações e transições de valores,  experimentamos um era tecnológica, onde estamos reaprendendo a nos comunicarmos,  a comercializar nossos produtos e a educar nossas crianças e jovens.   Possuímos o  poder de obter informações instantâneas e globalizadas. O professor  até décadas atrás era o dono e gerador do conhecimento. A sociedade evoluiu e para esta nova geração, o  professor não é mais o detentor de todo o saber, elas possuem  as informações nas mãos. O que elas precisão então? Precisam de educadores, que assumam o seu novo papel na sociedade, profissionais éticos, formadores de pensamentos reflexivos e politizados,  mediadores e incentivadores, uma ponte  entre o saber e o aluno.  

      Portanto, o ponto de partida da educação de uma sociedade são as ideologias e as expectativas que as acompanham  no momento presente, esta relação é intrinsecamente  indissolúvel, gerando desta forma múltiplas teorias e práticas pedagógicas, estando  todas inseridas em contextos sociais, políticos e culturais. Tendo a premissa que educar é um ato social,  que desde os primórdios das civilizações, todas elas,  das mais rudimentares ( as tribais), até as mais grandiosas ( como Grécia, Atenas e Esparta) educaram suas crianças e jovens com as melhores expectativas de  retorno,  aonde tais educandos viessem a contribuir com a manutenção e  evolução desta mesma sociedade. Em termos de Brasil atual, a realidade educacional  apresenta-se em crise, portanto, antes de levantarmos os questionamentos sobre as práticas pedagógicas, precisamos nos questionar: o que esperamos de retorno desses jovens nesta nova era?  Que tipo de cidadãos brasileiros queremos formar? Será  conveniente para os governantes que através das diferenças e oportunidades educacionais sejam  mantidas as desigualdades sociais? Os  questionamentos, as teorias e as práticas são muitas.

      Todavia, a  pedagogia  como ciência, possui  um objeto de estudo, que são  as práticas educativas, que por excelência buscam a compreensão  das causas e conseqüências de todos esses questionamentos .  Com isso, é necessário que os pedagogos cientistas trabalhem com a aplicabilidade de teorias em situações estudadas e planejadas, visando incessantemente  transmitir através de práticas pedagógicas o conhecimento reflexivo, que geram mudanças de comportamentos enraizados, muitas vezes por séculos. Trabalhando a exclusão, baseando-se na realidade, seja ela social, política ou cultural. Inserindo todos os membros desta  sociedade em um caminho que levem todos a se questionarem, o por que desta ou daquela situação.

      Haja vista, que o autoritarismo em sala de aula “caiu por terra”. Como diz José Manuel Moran: 

                                               “ O educador autêntico é humilde e confiante. Mostra o que sabe e, ao mesmo tempo está                                                        atento ao que não sabe, ao novo. Mostra para o aluno a complexidade do aprender, a nossa                                                      ignorância, as nossas  dificuldades. Ensina, aprendendo a relativizar, a valorizar a diferença, a                                                  aceitar o provisório. Aprender é passar da incerteza a uma certeza provisória que dá lugar a                                                      novas descobertas e a novas sínteses”.  

 

      Faz-se urgente, práticas pedagógicas que valorizem nossa diversidade cultural, que trabalhem com crianças desde a tenra idade incentivando a educação multicultural, o cruzamento entre as culturas, a auto-estima das diversas identidades culturais. Visando uma sociedade futura que reflita situações de despreconceitos e de aceitação ao próximo. Caso contrário, em ambientes geradores de preconceitos, o que irá frutificar serão situações de violência e intolerância, perpetuando a relação “opressor” e “oprimido”.

       Paulo  Freire (1921-1997), educador e filósofo brasileiro,  desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. O importante para ele era formar alunos conscientes da sua educação e politizados, capazes de reconhecerem  na sociedade que estivessem inseridos as relações de poderes presentes. Influenciou o movimento chamado pedagogia crítica, que se utiliza do termo  “ Pedagogia do Oprimido e do Opressor”, para resumir a situação que se alojou nas escolas.

                                            “Quem, melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de                                                uma sociedade opressora ? Quem sentirá, melhor que eles, os efeitos da opressão? Quem, mais                                              que eles, para ir compreendendo a necessidade da libertação? Libertação a que não chegarão                                                  pelo acaso, mas pela práxis de sua busca; pelo conhecimento e reconhecimento da necessidade                                              de lutar por ela”. 

 

      A palavra pedagogo, surgiu na Grécia (paidogogós) para designar o nome do escravo que conduzia as crianças até as escolas. Subentendesse que era aquele que conduzia para o conhecimento. Concluindo, acreditamos que o pedagogo contemporâneo possui ainda a missão de conduzir seus discípulos ao conhecimento reflexivo e politizado, que inclua e jamais exclua. Novos pensamentos, novos paradigmas, capazes de começar uma revolução dentro de uma sala de aula, se transportando para a escola toda, para os lares, bairros, cidades, países. Será pela educação que o mundo se transformará. 

 

 

 

Novas tecnologias e mediação pedagógica

http://ensino.univates.br/~4iberoamericano/trabalhos/trabalho024.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire